quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eu vi a noite chegar por entre as nuvens do céu. Vi estrelas se jogarem de lá pra realizar pedidos, cruzando com outros que, voando na direção contrária, formavam novas estrelas. Vi milagres. Muitos fins e outros muitos recomeços. Vi barrigas crescerem, meninas nascerem e nelas, novamente a barriga. Dela, dessa vez, um menino. Vi poesia em ondas do mar e em pétalas secas de flores eternas. Vi cartas, anéis, girassóis, fotografias e lembranças fantasiadas. Vi belezas em todas as suas formas me esperando no portão e nos meus sonhos, em noites de solidão acompanhada e em manhãs de promessas, enfeitadas de juras de amor que fizeram o pra sempre se desfazer em pequenas gotas do que um dia chamei de saudade. Vi arco-íris se formar em dia sem chuva e luas surgirem antes do sol partir. Vi lágrimas nascerem de olhos impermeáveis e o amor transformar o tédio em moinhos e casulos em asas. Vi músicas, encantos, encontros e contos, populares e de fadas, por aqui e por outros cantos de cidades ou de canções. Vi as coisas mais belas do mundo e criei mundos a partir das belas coisas que vi..

Mas aí você chega e eu esqueço de tudo
Esqueço de mim
Esqueço de ser

A gente se mistura a uma certa distância
E de repente, eu não te quero..
Eu te tenho
Sem ter..

Me alimento dos teus olhos
Entrelaço nossos mundos
E durante o infinito desse exato segundo
Envelheço ao teu lado
E gero teus filhos
Sem você perceber

Fatídico instante em que tudo para
E tudo que eu vi sequer se compara
Com tudo que sinto quando vejo você




(tem amor que faz prosa virar poesia)


terça-feira, 15 de novembro de 2011


O dia a dia. O lugar onde você vai acordar todas as manhãs. A voz que vai te prometer estar ao seu lado pra sempre. Ou a que vai estar, mesmo sem prometer. Os olhos que irão te encarar enquanto você estiver caminhando com seu lindo vestido branco. Ou pérola. Ou creme. Ou simplesmente aqueles que saberão enxergar em você coisas que os outros nunca viram. O abraço que vai te fazer esquecer de tudo. As mãos que vão envolver a sua barriga quando ela começar a crescer. O rosto do seu filho. Ou filha. Gerados por você. Ou não. Amados por você! Um só. Ou muitos. Quantos forem necessários pra encher o jardim de alegria. Ou o apartamento. Aqui ou do outro lado do mundo. Os amigos que ficarão pra sempre. Os que serão os padrinhos. Os que ainda chegarão. Cachorros. Ou gatos. Flores! Vejo muitas, muitas cores. E sabores. E livros. Sem muros. Ou lógica. Vejo sonhos. Brinquedos. Possibilidades. Muitas. Todas. Até o último dia. O adeus. Ou reencontro. O fim. Ou o começo.

sábado, 12 de novembro de 2011

Hoje fiz uma das coisas que mais gosto. Reservei um tempo pra revirar coisas antigas. Não imaginei que uma mochila velha em cima do armário iria me render tão bons pensamentos. Logo de cara encontrei a chave do lugar onde eu guardava o uniforme do meu primeiro emprego. Tinha também um CD que eu estava procurando há muito tempo, algumas medalhas que fizeram com que eu me arrependesse de não ter voltado pra ginástica rítmica, o estetoscópio que eu usava quando ainda acreditava que a faculdade daria certo, e um bilhete que um um ex namorado me deu, quando eu já sabia que o namoro daria errado. Passei pra outra parte do armário e era ali que estavam guardadas as melhores lembranças. Cartas, muitas cartas.. escritas a mão e em máquina de escrever.. e que nunca foram entregues. Havia também alguns bilhetinhos de amigos e muitos corações recortados. Aí chegou a hora de ler os cadernos, lotados de matéria.. mas a cada dez folhas, algum texto bobo que nascia no intervalo das aulas, ainda cheios de rabiscos. Terminei alguns que não estavam completos e copiei outros, dos quais eu já tinha esquecido. Agendas antigas, potinhos de tinta e ingressos de cinema e teatro.. mas quando eu pensei que já tinha visto tudo, me deparei com a melhor parte. Uma caixinha de madeira rosa, com um coração vazado e, dentro dela, as coisas antigas da minha mãe. Logo por cima estava a carteirinha de estudante, com pouca presença, muita poesia e uma lista de compras escrita no meio das notas: - macarrão, - duas cebolas, - alho, - ovos.. e claro, data alterada pra fingir que tinha dezoito anos. Além disso, alguns recortes de jornal, bilhetes de aniversário e o que eu mais gostei de ver.. um caderninho, já meio amarelado mas em perfeito estado. Todas as músicas que ela gostava, todas as desilusões e todos os textos que ela escreveu estavam ali. Descobri que na minha idade a minha mãe sentia exatamente o que eu estou sentindo agora. Li um pouco mais e, entre várias outras coisas, ela começou a escrever sobre a vontade de ter um filho. Mais folhas soltas.. mais poesia.. mais desilusões. Os meses foram passando no alto das páginas até que, finalmente, ele surgiu.. o amor. Aí cheguei na última folha - exatamente na última folha do último caderno de poesia da minha mãe - e encontrei outra lista de compras, mas, dessa vez, diferente:

- fralda, - mamadeira, - hipoglós..

.. e ela me disse que depois que foi feliz, nunca mais conseguiu escrever.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

E tantas vezes eu já te esqueci
Outras tantas eu já me lembrei
Inúmeras vezes te mantive guardado
Te escondi,
Te perdi
E, não tardando, te achei
Mas as promessas, sempre só minhas
Junto aos desvios, sempre tão seus
Já se cansaram de andar sozinhas
Por isso, mais uma vez
E pela última vez
Adeus



Mas isso foi ontem

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ponto de vista

O menino estava sentado no meio do nada, olhando pras nuvens
Começou a andar meio sem direção e, sem que fosse sua intenção, chegou ao fim do mundo
Curioso, foi até a beirinha, olhou lá pra baixo, sorriu e se jogou na imensidão azul
Ele caía.. caía.. caía tão rápido que logo chegou ao outro lado
De lá, todos olhavam assustados o menino que subia.. subia.. subia tão rápido
Em direção ao ponto mais alto do céu