Eu vi a noite chegar por entre as nuvens do céu. Vi estrelas se jogarem de lá pra realizar pedidos, cruzando com outros que, voando na direção contrária, formavam novas estrelas. Vi milagres. Muitos fins e outros muitos recomeços. Vi barrigas crescerem, meninas nascerem e nelas, novamente a barriga. Dela, dessa vez, um menino. Vi poesia em ondas do mar e em pétalas secas de flores eternas. Vi cartas, anéis, girassóis, fotografias e lembranças fantasiadas. Vi belezas em todas as suas formas me esperando no portão e nos meus sonhos, em noites de solidão acompanhada e em manhãs de promessas, enfeitadas de juras de amor que fizeram o pra sempre se desfazer em pequenas gotas do que um dia chamei de saudade. Vi arco-íris se formar em dia sem chuva e luas surgirem antes do sol partir. Vi lágrimas nascerem de olhos impermeáveis e o amor transformar o tédio em moinhos e casulos em asas. Vi músicas, encantos, encontros e contos, populares e de fadas, por aqui e por outros cantos de cidades ou de canções. Vi as coisas mais belas do mundo e criei mundos a partir das belas coisas que vi..
Mas aí você chega e eu esqueço de tudo
Esqueço de mim
Esqueço de ser
A gente se mistura a uma certa distância
E de repente, eu não te quero..
Eu te tenho
Sem ter..
Me alimento dos teus olhos
Entrelaço nossos mundos
E durante o infinito desse exato segundo
Envelheço ao teu lado
E gero teus filhos
Sem você perceber
Fatídico instante em que tudo para
E tudo que eu vi sequer se compara
Com tudo que sinto quando vejo você
(tem amor que faz prosa virar poesia)