Não há lares pra todos. Nem mares, nem abraços ou poesia. Não há nada que nos salve ou que dê ao mundo ideia mais bonita que a vertigem conformada e estagnada que o habita. Não aqui. Não há futuro algum que revele sândalos que brotam em bosques imaginários e, em nós, qualquer coisa com cor de arco-íris. Agora as flores caem durante a primavera, verões são folhas secas e o outono, quase inútil, prepara o berço pro tempo dormente de nuvens carregadas de falta de amor. Não há nada que as reprima. Precipitam em precipícios de sentimentos que residem, quase sempre, em um lado só. Escorrem pelo chão e pelos olhos nos enfeitando com sua beleza patética. Ou poética. O senhor do mundo é o abismo por onde caem, de mãos dadas, ideais e eternidade. Efêmeras alegrias tomam conta de corações cansados que, trôpegos, se arrastam e se sustentam em edifícios de areia e castelos de promessas vãs.
Queria encontrar um lugar melhor pra morar. Pra onde eu pudesse levar todos os jardins que eu aguentasse em minhas costas. Seria forte o bastante pra trazer você comigo. Eu, você e mil jardins num novo abrigo. Forrado de sonhos e bordado de estrelas.
Algum tempo depois, seria finito tudo mais que não fosse nós dois..
E o mundo, por erro ou por sorte
Em seu leito de rio e de morte
Nos diria em seu fim prematuro ou tardio:
'Tolo fui eu, que tentando me privar da dor
Escolhi não morrer de amor
E acabo por morrer de vazio.'
Nenhum comentário:
Postar um comentário