Era tudo estranho por ali, naquela sala sem cortinas e sem portas. Não tinha cortinas porque não havia janelas e não tinha portas porque não havia saída. Paredes sem fim e um chão que se confundia com elas. Não havia móveis também, nem quadros ou teto. Naquele lugar só havia estrelas. Estrelas de vários tamanhos. Apáticas. Caídas. A sala não morava perto do céu e elas nunca aprenderam a viver sem ele. Olhei de longe.. estranhei. Eu era uma delas. Compunha aquela galáxia esquecida. Semi morta. Estrelas partidas que, sem pontas, eram como um círculo qualquer. Esferas inúteis formando uma constelação de ausências. Em meio ao vazio surgiu um brilho inesperado. Depois outro.. E outro. Eram lágrimas de uma estrela doente. Doía. Começamos a chorar juntas e descobrimos, também juntas, que lágrimas de estrelas são belas como a chuva. E chovia. Chovia saudade. E era tanta que, de repente, cobriu o chão e a alma. E os corpos redondos. Flutuamos! Em pouco tempo a sala estava cheia. Era bonito. O mar de lágrimas fazia ondas.. e crescia. Subia entre as paredes infinitas. Olhei pros lados e estávamos tão alto que eu não conseguia ver o chão. As estrelas se alegraram uma a uma. Fechei os olhos e procurei minha tristeza. Já não existia. Havia brilho e alegria por toda parte. Estávamos mesmo perto do céu.
Você estava lá. E eu que nunca soube que cachorros gostavam de nuvens..
"Virei estrela porque meu lugar é ao seu lado"
Renasci!
Lá de baixo, alguém olhou pra cima
Foi a noite mais bonita que já se viu.
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