O cômodo é pequeno
E absolutamente apertado
Não há espaço suficiente entre as paredes
Nem claridade
O ar é pouco e a luz escassa
Sufoca
Há que se inventar asa para fugir do desconforto
Da agonia de estar trancado
Estático
É preciso entender-se vapor
Para sair pelas frestas dos portões fechados
Os muros são feitos de mármore
Pálido e frio
Há pulso nos corredores
Fazendo eco
Ou algum tipo de música que não se ouve
Mas dói
Em um emaranhado de nervos furtivamente impermeáveis
Nenhum ser que se move foi feito pra viver preso
Nem os que erram
Há que se escapar da claustrofobia do corpo
Dos limites impostos pela existência da carne
Esgueirar-se da própria matéria
Virar passarinho
Vento
Primavera
Decompor-se e reintegrar-se
Mais de um milhão de vezes
Até se perceber pó e, então, refazer o que se era
O poema, nessa sala, é a resposta
A saída
A entrada de ar
A chave que trouxeste
Em palavras ainda úmidas e impregnadas de sono
Desperta-se
O poema é a janela!
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